07.07.09

Adeus, King!

Enviado em Hanna-Barbera tagged às 13:38 por cntrld

O garotinho indefeso com seus outros quatro irmãos vence preconceitos e se SUPERA. Aos poucos, cresce e sua voz harmônica, ora silenciosa, ora romântica, marca uma geração como /disco/. Músicas arrebentam como hits e as pessoas dançam em torno dele. A vida toda. É impossível não acreditar que, a cada momento, uma pessoa em qualquer lugar que esteja, bailava pequenos passos – tímidos ou não – tentando imitar seu moonwalker para impressionar seu bando. Ou até levantava-se, virava-se de um lado ao outro em passos retos e braços pra frente imitando zumbis.

Mike torna-se ícone para bilhões. Toda sua obra mí(s)tica reflete na parada do homem cidadão comum com sua morte. Lágrimas até. Eterno muito maior que o Rei do Rock ou os guris de Liverpool, pois, como vemos, ele conquista a filha do primeiro e ainda se apropria das canções da banda inglesa. Lenda viva forever. A tez desestabilizando seu corpo magro-não-atlético e os retoques nasais exteriorizam sua sensibilidade, dores, mágoas e depressões por vezes reprimidas.

Era um frágil. Mas não tinha medo de poder mostrar suas carências tão profundas diversificadas intensas. Portanto, daí a sua força e o seu carisma. O monarca ideal do pop se torna lenda. O reconhecimento, mesmo que após a morte, só prova que é impossível não se envolver com a eloquência desse alguém. Milhares de pessoas morrem diariamente – o velho quebra a bacia, a moça é estuprada, o bebê é encontrado afogado. Mas ainda nada se compara ao símbolo agora transformado em Michael Jackson.

07.01.09

Medo, me nina

Enviado em Hanna-Barbera tagged às 12:08 por cntrld

O que há de mais bonito nas roseiras do sítio de Ernesto são as facilidades que suas cores camuflam os gatos persas do mesmo Ernesto. Rosas vermelhas e gatos de olhos vermelhos e pêlos ruborizados e ruborizantes. A mescla do ser criado e da criatura oriunda da terra faz com que a beleza seja mais vivaz. Sonhei com esses gatos noutro dia, escalando um prédio de quatro andares, dentes felinos e apontando a uma perspectiva mais vertical do que do horizonte.

Os dois gatos subiam e caminhavam de cabeça para baixo fincando suas unhas amareladas no teto que acabara de reformar. E eu, em pé, desestabilizado e estável por estar emparedado na terceira parede contando no sentido horário da porta de madeira comum e barata. Abri a boca, mas não tinha voz. Emudeci. A voz foi crescendo aos poucos. Timbre e tom agravando-se, mas as palavras fugiam de mim. Sonhos reproduzidos em letras que me deixavam sem o que dizer, fora do ar literalmente. Só me restavam versos musicais que minha mãe me ensinara sobre o Rei Roberto.

Detalhes, Debaixo dos Caracóis, Amada Amante e Lady Laura. Os gatos continuvam em suz rota zigue-zague sobre o teto. Um deles esbarra na lâmpada e o vidro atraca-se com a pele felpuda, choques e o início de um incêndio em casa. O teto já veio logo a desmoronar. Se o primeiro gato já estava chamuscado em uma frequência ainda mais avermelhada, o segundo miava alto do teto, sem saber como fugir. E eu, sem saber como salvá-lo. O máximo que fiz foi tentar me salvar, me encolher todo e chorar. Uma parte do teto bem em cima da minha cabeça ia cair a qualquer momento. Chorei, mas o que caiu não foi o teto, mas o chão por inteiro. Segundos após percebi que todo o prédio já estava em chamas, eu no piso térreo em lágrimas, gritos de desespero.

Tudo culpa minha. Sabia que eu não deveria ter deixado os gatos brincarem no teto, porém, eu me considerava sem reação naquele momento. Que bom que acordei enquanto era tempo. Pesadelo horrível esse. Daqui a três dias vou visitar o tio Ernesto. Tô com medo dos gatos.