04.05.09
Olá, caro viajante aventureiro
Quero ir para o Oeste.
Não, não faço a mínima idéia do que há lá… Por isso quero ir.
Ninguém sabe o que existe mais a Oeste dos mares. É secreto. Tão secreto, que ninguém jamais teve a coragem de sair para cruzar seus caminhos.
Já ouvi histórias, claro. Monstros, serpentes, maldições. Me contaram, certa vez, que é no Oeste onde a lua descansa enquanto o Sol brilha.
O Oeste era meu Norte, há algum tempo, já.
E juro que não me decepcionei quando descobri que tudo o que todos sabem, na verdade, era mentira. Ilusão, para ser mais claro.
Não há nada no Oeste.
Nada mesmo…
Quando sua bússola pára de apontar ao Norte, ela gira descontroladamente. Parabéns, você chegou ao Oeste!
Desci de minhas botas, deixei tudo no chão seco. Fui até a beira, daonde alguns grãos de areia caíram em direção à escuridão. Olhei para baixo e o sentimento de vertigem se apossou de mim. Era a realização de um sonho.
Ir onde nunca foram, ver o que nunca viram e poder contar isso: uma boa história.
Não havia mar, terra, plantas, areias ou luz no Oeste.
Por isso, deixo este recado aqui, para aqueles que se aventurarem depois de mim: escolha bem.
Ou volte e não diga uma única palavra ou pule e agarre a descoberta.
Pensei em lhe dizer apenas para pular. Para desfrutar deste prazer.
Talvez eu seja egoísta só de pensar nisso, talvez queira tudo para mim. Só para mim.
Por isso, pularei.
Não me imagino fazendo despedidas. Nunca as fiz.
Então, escrevo apenas isso: pense bem.
Pule melhor ainda.