04.04.09
E se
Pergunto-me, de vez em quando – aposto que todos o fazem e, se a resposta para a pergunta que não fiz for “não”, então posso me considerar louco, certo? – e essa pergunta vem do fundo, não de onde vêm as outras perguntas e sim de um lugar ainda mais distante.
Pergunto-me, vez ou outra, e todas e cada uma delas e sempre que as vêm, elas, as perguntas, vêm assim: “E se…”. O restante é opcional, é bônus, é surpresa, é decepção, é erro e é acerto também. O restante é redundante.
Pergunto-me, vez que vi a questão, a curiosidade, vez que vi a pergunta, claro, e pergunto-me de forma incisiva, de forma rápida – às vezes, mas só às vezes, ela leva um tempo a vir… Não tenho perguntas a todo momento, se é o que pensa – de forma que vem, até, sem formas. Formato também é, neste caso, redundante.
Pergunto-me, e não importa quantas vezes eu o faça, a resposta vem como uma única palavra, simples e curta, “sim” e ela serve, certinho, para esta pergunta: “Acharei uma resposta?”.
Pergunto-me para auto-afirmar.
Pergunto-me, tantas vezes, apenas para ver em meu rosto o reflexo – seja ele do espelho ou apenas do movimento que representa o pensamento. O rodar das máquinas cerebrais são refletidas nas expressões faciais, reflexos dos questionamentos e curiosidades.
Pergunto-me, mas nem toda vez acho a resposta – mesmo sabendo que lhe disse, antes, que eu a acharia, eu, agora, acho que não. Nem sempre se tem uma resposta – e isso é bom.
E se eu as tivesse, todas, só para mim? Ou para todos, tanto faz.
Seriam elas, as necessárias, as infalíveis, as imortais e as verdades absolutas de minha ou nossas vidas?
E se não fossem?
Pergunto-me, logo vivo. Enlouqueço.
E se me perguntasse sobre tudo, todos? Seria normal ou fofoqueiro?
Seria metido se buscasse cada resposta? Sei que não sou, já que não as acho.
E se a luz apagasse, a noite viesse, o povo sumisse e o frio perpetuasse?
E se eu não tivesse dinheiro para pagar a consulta, doutor?
Não me pergunto coisas bobas, infantis. Pergunto sempre coisas importantes, para mim. Sou egoísta, todas as respostas foram feitas para todos, mas as que eu busco são as feitas para mim e só para mim.
E se o céu fosse roxo? E se o mar não mexesse? E se o fogo não esquentasse?
Perguntas não precisam sair pela boca, as melhores já estavam lá, e antes estavam no fundo e depois estarão no ar, dono de todas as coisas na Terra.
E se não houvesse ar? E se ele se tornasse pedra?
E se tudo fosse nada e nada fosse tudo?
E se “tudo junto” se escrevesse tudo junto e “separado” se escrevesse separado?
Não acho que elas ligariam, nós, sim, nos sentiríamos outros.
E se eu falasse apenas de nós, humanos? E se o homem soubesse quando iria chover? Ele se molharia?
E se não se molhasse?
E será que foi importante que ele tenha se molhado?
Foi importante que tenha caído e aprendido a levantar?
Cada pergunta representa sua maturidade, suas influências e suas preferências.
E se eu não aceitasse conselhos? E se não os desse? E se eu nascesse um boneco de neve? Derreteria no quintal?
E se eu não perguntasse, não questionasse, não usasse vírgulas para indicar quando uma idéia acaba e outra começa, ou, pelo menos, deveria começar?
Poderia continuar e continuar, poderia nunca parar.
E se eu parasse, agora, agora mesmo, agorinha e agorão. Parei!
…
…
…
..
.
E se voltasse? Se questionasse, se perguntasse e se utilizasse minhas tão queridas vírgulas?
E, se e somente se, não pudesse voltar atrás nas decisões e resoluções de minha tão vivida vida?
E se não quisesse voltar?
Poderia parar? Sim, poderia, mas não vou.
Quero é ir, continuar, usar e abusar das vírgulas e viver minha vivida vida.
E se morresse sem minhas respostas, sem minhas perguntas, sem minha vida, sem minha chuva, sem minhas vírgulas?!
Morreria novamente?