04.30.09

Move moinhos e estádios (Fanatismo)

Enviado em Hanna-Barbera às 18:35 por cntrld

‘Uma briga entre membros da Torcida Jovem do Confiança terminou na morte do jovem Jeferson Ramos, de 19 anos, que levou uma pedrada na nuca. O fato aconteceu após a partida entre o Dragão e o América de Propriá, no Batistão, quando cerca de 20 membros da torcida organizada começaram a brigar entre si usando a força física e paralelepípedos, segundo testemunhas. A vítima foi ao estádio com amigos e o irmão, que chorava muito olhando para o corpo estirado no chão enquanto esperava a chegada do carro do Instituto Médico Legal (IML). Ele morava com a família no conjunto João Alves, em Nossa Srª do Socorro.

Seus amigos diziam que ele não tinha nada a ver com a briga, mas outros membros do grupo informaram que ele tinha uma rixa com outros torcedores devido a pichações provocativas que ele teria feito. Reconhecidos por algumas testemunhas, dois rapazes maiores de idade foram presos por policiais do Batalhão de Choque, que fazem a segurança no local. Os acusados ainda não foram identificados e prestarão depoimento sobre o caso.’ (Portal Infonet, 01/mar/09)

Esse é um dos diversos casos que ocorrem em estádios de futebol. O fanatismo, 0 endeusamento que muitos têm nos times. O depositar sua felicidade nas mãos alheias e não poder perceber o quão grande é o verdadeiro amor e sua forma mais sublime é o que cega as pessoas, bloqueia-as e as faz agressivas. Espaços de acolhida retêm violência. E os estádios de futebol estão cada vez menos assim, quando se tem pessoas infelizes consigo mesma, que crêem que precisam adorar o afora para serem felizes, ah, isso é o que mata qualquer vida. Fanatismo é falta de confiança em si mesmo, é egoísta, é possessivo, é doentio. Portanto, sem chacinas com seus próprios sentimentos. Iniciativa, seja feliz! Nos estádios, eu quero é paz e um bom jogo – que termine no jogo, pois a vida continua. Valorize a vida.

04.28.09

Move moinhos e estádios (Pioneirismo)

Enviado em Hanna-Barbera tagged às 17:28 por cntrld

256 mil pessoas compõem o aglomerado sócio de vinte times brasileiros. É bem provável que chegue a quase um milhão o número de torcedores de associação, sem falar os de torcida organizada, os que colocam suas expectativas nos resultados – apostando em loterias -  e até aqueles que escondem sua paixão esportiva na maior parte da semana. Essa composição plástica de cores combinativas ao longe, cercando estádios, ocorre há tempos, mas uma data em especial merece bastante destaque.

10 de outubro de 1942. ‘A idéia de levar um grupo musical para dentro de um estadio ocorreu na véspera da partida decisiva do Campeonato Carioca. Naquele sábado anterior à final, Jaime e um amigo esperaram até de noite para conseguir a única bandeira do Flamengo existente na cidade, hasteada no mastro da sede do clube. Depois ficaram até de madrugada a tingir um morim – tecido de algodão, branco e fino – de vermelho e preto com a inscrição: “Avante, Flamengo!”. Jaime chegaria cedo ao estádio da rua Álvaro Chaves para a disputa contra o Fluminense em companhia de cerca de quinze músicos, portando um trombone, dois clarins e mais dez instrumentos rítmicos. A presença daquela turma ruidosa instalada nas arquibancadas causou espanto, pois até aquele momento a música só fazia parte das comemorações fora do estádio, ora nos cafés ora nas ruas, com os desfiles de carro a imitar os corsos do carnaval. A estréia do grupo foi considerada um sucesso, com a obtenção do almejado título pelo clube (Flamengo 1 X 1 Fluminense). Jaime levou adiante a iniciativa inédita e a banda passou a acompanhar o time com regularidade aonde quer que ele fosse.’ (Fonte: Arquivo Histórico do Jornal Sports)

Futuramente essa será chamada pelo locutor esportivo Ari Barroso de Charanga. O sentido, embora perjorativo, fez com que a Charanga Rubro-Negra se tornasse ícone da torcida do Flamengo, juntamente com Jaime de Carvalho (fundador de tal grupo). Será a partir da Charanga que iniciarão os movimentos organizados e depois as respectivas torcidas futebolísticas do Brasilzão. Sim, os quinze instrumentos pioneiros aí estão.

04.27.09

Reflexo

Enviado em Walt Disney tagged , às 19:01 por cntrld

Acordo já de cara com ele… Barba por fazer, uma ou outra espinha, cara de sono, hálito não sinto. Toda manhã é a mesma coisa. Levanta e vem me ver. Chega pertinho, às vezes, me olha nos olhos, me encosta na parede… Seu nome não sei.

            Pede minha opinião sempre que vai sair… A roupa está boa, pode ir trabalhar despreocupado.

            Tem dias que vem de terno, outros de blusão… Já vi de pijamas e pelado, então… Admito que não consigo resistir e dou uma olhada quando ele vira pra cá, pra lá, me mostra um pneuzinho e eu logo tento mentir.

 

            Mentir é algo que não consigo, tento ser sincero ao máximo, sempre! Se me perguntar, direi que sim, a roupa está amassada. Sim, você fez mal sua barba. Sim, os grisalhos chegaram mais cedo e aqueles ainda castanhos que já caíram, não vão mais nascer.

            Elogio também, quando merece. Afinal, numa relação como essa é preciso ver as coisas pelos dois lados.

Que bela escolha de roupas. O sapato está perfeito! Seus olhos são lindos!

Ele cuida de mim, também. Mexe comigo, me faz um carinho de vez em quando, procura o melhor lugar para mim.

            Mas sou duro quando é necessário. Faço, não só ele, mas todos, enxergarem as verdades que residem dentro de si mesmos, querendo eles ou não.

            Mostro como seus rostos estampam o aborrecimento. O sofrimento. O arrependimento. O amor. A tristeza. Tudo o que tentam esconder de mim e dos próprios olhos… Nenhum truque funciona comigo.

            Não sou mágico também, só mostro o que vejo. Agüento caretas, presencio risos, tento acudir os choros, mas nunca pude secar uma única lágrima dele.

            Em relação a isso me sinto um inútil.

Em compensação, é para mim que ele declama os ensaios de suas reuniões. Eu sou o único que lhe dou atenção quando nem ele parece acreditar em si mesmo. Mostro o quão forte ele realmente é, sem exageros.

            Se eu fosse exagerado, estaria no parque de diversões.

           

            Jamais vi meu rosto, ele está sempre coberto por um véu de brilhos infinitos. Não sei sorrir sozinho, chorar sozinho, me vestir sozinho…

            Tem vezes que eu até me confundo com ele, por alguns segundos penso que posso ser humano.

            Sei que, às vezes, ele também acha que sou.

            Quando confia, só a mim, seus maiores segredos, seus medos, suas felicidades.

            Acordo já de cara com ele, vendo as verdades.

            Meu reflexo é o seu presente… Seu reflexo é o meu.

            Obrigado por me polir de vez em quando, de me limpar e evitar os arranhões. Tenho de agradecer por tudo, afinal, sou um espelho sincero.

 

Move moinhos e estádios (Introdução)

Enviado em Hanna-Barbera tagged às 0:16 por cntrld

Minha cidade estava deserta hoje à tarde. Passei nas ruas mais movimentadas e me deparei com lojas semicerradas. Todos entusiasmados com o clássico da Vila – o Corinthians de Ronaldo fenômeno versus um Santos de um novato Neilmar.

Se no sábado passado me dei ao luxo de me ensurdecer em quarenta e dois minutos com buzinas e gritos santistas, hoje os poucos fogos da cidade ocorreram no primeiro e único gol do menino travesso, quiçá Robinho II. Claro, nada comparado com as versões enfadonhas dos jovens e velhos nos bares ao lado do local de meu compromisso. É verdade, não costumo assistir aos jogos futebolísticos, mas entendo o necessário do esporte. Sei que a final estadual também repercute em todo o Brasil, da mesma forma que todo o Brasil vivencia até o próximo domingo finais de estaduais. Futuramente, um Brasileirão para se colecionar, não?

Confesso que ainda não entendi direito o tal do blábláblá sobre a unificação de títulos de campeonatos brasileiros, só que isso é assunto pra um outro post. Enfim, meus caros torcedores e fãs, aproveito a circunstância para que diariamente vejamos não só mais um clássico, contudo, que saibamos o quê que move moinhos de emoção – tão plenos de religiosidade secular – e gera fãs de uma vintena de homens em torno da redonda. O porquê de torcer pelo futebol e muitas outras curiosidades vocês verão a partir de amanhã, aqui, no mesmo batcanal.

04.19.09

Xeque-mate platônico

Enviado em Hanna-Barbera tagged , , , , , , , às 23:04 por cntrld

Para quem aocmpanha minha última crônica, estou muito saudosista e um pouco apaixonado. Enfim, as peripércias do sentimento se encerraram por hoje, eu garanto. É, vim compartilhar com a família cntrldista a minha frustração em relacionamentos. Sou um fracasso aliás. Tipo, de uns tempos pra cá me guardei para uma mina que eu considerasse especial – com um bom corpo, uma boa cabeça e se importasse comigo.

Numa bela manhã de sol, conheço uma mina com bom corpo, com boa cabeça e que se importa comigo. Aquelas que me conisderam pra caramba, mas sempre pisam na bola. Sabe o que acontecesse numa situação dessas, a mocinha começa a ser sonho de consumo a quem quer ser pretendente. Porém, existe olhos para ela de vários lados. Noutrora, conversei com a menina – ela me achou incrível e isso me empolgou em partes.

Mas comecei a perceber que havia gente a fim dela, por vários motivos – carência ou necessidade -, menos admiração e vontade de crescer com ela. Brincávamos de brincar de namorados, e com o tempo, a brincadeira passou. Notei noite tarde, não. A garota especial brincava de brincar de namorado com outro, mais belo, mais interessante. Hoje foi a última vez que conversei com ela: estava linda, era o instante dos meus sonhos.

Contudo, quando eu falava com ela, ela não falava comigo. A triangulação. Só depois percebi que tinha perdido alguém que nunca conquistei: ela olhava para outro. Me senti Julia Roberts em filme de ‘Casamento do Meu Melhor Amigo’. Talvez ela seja especial, e muito especial. Porém, mais especial para outro garoto especial, e não simplesmente para mim (somente carcaça pérfida de bons sentimentos). Foda-se, ela já curte outro. Eu sou fraco. . .

O mundo continua?

04.18.09

Atemporal

Enviado em Walt Disney tagged , às 14:42 por cntrld

Não sei muito bem como, onde, quando ou porque, mas aconteceu. De repente, todos nós, humanos, fomos escravizados.

            Um ditador alimentado por nós, nosso monstrinho, que foi crescendo, devagarzinho e, de mansinho, dominou todos os territórios.

            Superou Hitler, Napoleão, Alexandre, o grande, Romanos, Gregos, Troianos, Turcos, Americanos…

            Ele rege nossas regras, nossa língua, nossas vontades, nossas obrigações, meu dia e minha vida… Com uma tacada só, virou rei.

            Eu já nasci escravo. Meus pais também. Estudando o passado, não se descobre quando chegou e olhando pro futuro só se percebe que não irá embora. Jamais.

            Nós, humanos, que nos gabamos tanto por dominar o planeta, por ser a espécie mais bem sucedida, enganados, desavisados, pegos de surpresa por essa entidade, esse monarca poderoso.

            Tudo deve esperá-lo e tudo só depende dele. De uma hora para a outra, me vi na forca desse grande dominador.

            E, para fazer qualquer coisa, devo satisfações a ele.

            Tanto é que já vou indo. Tinha apenas 47 segundos para fazer esta crônica, o tempo não espera ninguém.

            O tempo não é controlado. O tempo manda e desmanda.

            Quem sabe, faz a hora… Se ele permitir.

04.14.09

Toda paixão aboba você!

Enviado em Hanna-Barbera tagged , , , , , , às 17:25 por cntrld

Greg é frio, distante e inexpressivo. Alana é racional, sagaz e versátil.

Matheus é romântico, carente, inseguro. Giovanna é inovadora, afetiva e prolixa.

Roberto é instigante, charmoso e imaturo. Rafaella é sensível, justa e curiosa.

Suor nas mãos, gotas na testa, palavras soltas sem sentido, passo errado – por que não um tropeço? -, um ‘tchau’ chocho e um abraço apertado que queria durar a eternidade, um sorriso no rosto por alguém que nem lhe nota, um olhar para você, uma palpitação peitoral, sonho acordado, ponto de interrogação, pequeno diálogo, proximidade, avistar os lábios, imóvel, respiração ofegante, parada no tempo, cerrar os olhos com suspiro, produzir-se, cortar cabelos, comprar nova roupa, colocar melhores tênis, dinheiro, pensamento longe, mal ouvinte, torcida, figas e simpatia, a vontade de espalhar a verdade pra todos, flor. Nããão, flor não! Greg errou, Matheus se precipitou e Roberto se enganou. Relaxa, talvez elas só sejam as garotas erradas do lugar errado e do momento errado.

04.12.09

Renascer

Enviado em Walt Disney tagged , às 15:50 por cntrld

Nascer de novo? Quem pode realmente dizer que nasceu novamente?

Quem? Todos nós.

Se você já repensou uma escolha, já olhou para trás, já percebeu uma mudança…

Se você já acordou diferente da forma como foi dormir…

Você já renasceu.

Todos renascemos a todo momento. Conhecemos coisas novas, visões diferentes, opiniões opostas e testamos nossos conceitos dia após dia.

Renascer é renovar-se, é transformar-se, é melhorar. Ou não.

Quem poderia, na verdade, dizer o que é bom ou ruim?

Quem, além de você próprio, tem a razão sobre si mesmo?

Sozinhos, todos podemos nos tornar pessoas novas. Traduções e releituras de um e de outro. Exemplos ambulantes.

Nascer, crescer, andar, ver, perceber, entender, criticar e mudar.

Explorar, transformar, transcender, compreender.

Parar, olhar, temer, pensar, saltar, convencer, demonstrar.

Encontrar, descobrir, traduzir e saber.

Renovar, renascer.

04.09.09

Feliz Passagem

Enviado em Hanna-Barbera tagged , , , , às 17:40 por cntrld

Romeu estava apressado. Seus óculos de grau, sua jaqueta de couro, seus básicos sapatos pretos. Não somente pressa, atraso. Compromisso inadiável e inaorável sequer. Preferiu pegar um táxi. Ei, táxi! Rua Horto das Oliveiras, 33. Dia chuvoso, céu chuvoso, terra molhada. Asfalto aguado. Respingos de água sobre o vidro da janela, uma andorinha piando na sacada do quarto andar, bem lá (dá pra ver?) no prédio de esquina. Posto que não era a esquina cobiçada de Romeu, o automóvel voltou a andar. Rodas sincronizadas desviando de empecilhos. Sabia que quatro rodas não tiveram a mesma sorte? Caiu, do outro lado do túnel. Uma fila congestionada de carros, motoristas atônitos, ninguém ajudava o homem preso no veículo de cabeça pra baixo. Revés, mas não tão quanto ao do morador de rua recuado e amedrontado com toda aquela situação, metros antes do acidente.

SOLITÁRIO. O táxi parou. Não poderia mais avançar. Está tudo engarrafado e é mais fácil fazer a ré, virar e partir. Romeu, paro por aqui, na entrada do túnel. Romeu tinha um compromisso inadiável e inaorável, não seria tão simples assim. Desafio aceito. O caminho só seria percorrido por Romeu.

ENXERGAR. Só que a visão tá embaçada com essa chuva. Tirou os óculos para limpá-los, deve ser isso. Mas ao tentar transparecer as lentes, o objeto caiu metros ao lado. Uma moto em média velocidade passa em cima. O que enxergar? Manchas não tão nítidas ainda compunham uma bela paisagem de tons. Passos, localiza os faróis acesos, ouve-se os gritos revoltados. Não era como Romeu queria observar, mas era necessário que ele observasse de tal modo. Saber seus limites e conhecer o que estava ao seu redor. Quase nunca reparava nas coisas ao redor.

DESPOJAR. A polícia já tinha conseguido salvar o homem preso no automóvel. Função da sua alçada. De quem é alçada de ajudar um morador de rua? Ele tentava dormir, os jornais de ontem não o cobriam. Romeu caminhava ao fim do túnel, tropeçou no morador e descobriu-o. Descobriu-o (duas vezes). Cicatrizes, queimaduras. Tudo feito recentemente. Olhar piedoso, piscou e arrancou seu casaco de couro. Jogou sobre o morador de rua.

PERSISTIR. Enquanto homens (em seus carros enfileirados, emparelhados) paravam pensativos sobre quanto ia durar; Romeu continuava caminhando. Metros em passos pequenos e contidos. O frio já o pegava de jeito àquela hora da noite. E os básicos sapatos pretos agora descolavam as solas. Curvou-se e desamarrou os calçados. Básicos sapatos pretos cercado de rodas. Doze metros, fim do túnel e a placa Rua Horto das Oliveiras. Suspiro longo e aliviado.

Romeu passou pelo túnel. Mais maduro em sucintos gestos, simples valores & meras palavras.

¹ Passagem > Pessah (hebraico) > Paschalis (latim) > Páscoa

04.08.09

Transtorno

Enviado em Walt Disney tagged , às 18:48 por cntrld

Certo dia, num passeio ao supermercado para vislumbrar o capitalismo, encontrei algo que me desconcertou.

Vi uma mulher… Nada linda, diga-se de passagem, mas ela me intrigou.

Aos já aparentes cinquenta anos, com uma blusinha básica, um jeans básico, uma vida básica. Levava um carrinho e o enchia cada vez mais de compras.

Eu, como grande chato que sou, não pude deixar de reparar que nada no carrinho vinha em dois volumes e nada lá era realmente de necessidade básica, tirando um saco de feijão, um sal e uma garrafa de água.

Com um ar de transtornada, passeava, assim como eu, olhando cada prateleira, mas sem se preocupar com preço ou data de validade… Pegava o que interessava e jogava no carrinho, que já acumulava uma quantidade considerável de compras.

Achei uma coisa ou outra que me parecia gostosa, um pacote de bolachas, um suco de frutas e shoyu. Shoyu serve para tudo. Absolutamente tudo, mas falo disso em outro texto.

A nossa querida observada continuava sua busca frenética por mercadorias aleatórias, depositando tudo num carrinho já cheio.

Imaginei o preço que tudo aquilo daria… Faço isso, às vezes, é mania.

Manias, aliás, todos temos… Mas isso também é assunto para outra oportunidade.

Fui ao caixa pagar minha conta de quinze reais. Uma bolacha recheada, uma caixa de suco de frutas (Maracujá, para os mais curiosos) e shoyu.

Olhei para o caixa ao lado e me deparei, com felicidade, com a senhora transtornada, que observava, transtornada, para suas compras feitas com transtorno.

Viu, levantou uma ou outra coisa, jogou de lado no carrinho, procurando algo que fosse mais importante para ela… Achou.

Pegou o feijão, a garrafa de água…

Era sua vez de ser atendida e a caixa já a olhava com aquele ar vazio de cansaço, de quem trabalhou o dia todo, sentada, num emprego que não lhe trazia nada. “Tem o cartão da loja?”, perguntou.

Não houve resposta.

A mulher apenas pegou seu feijão e sua água, colocou à frente da atendente e deixou todo o resto, um carrinho com mais de quatrocentos reais em compras, de lado.

Assim, como se nada fosse.

Após quase duas horas de procura, de pegar produtos e colocar no carrinho, de andar e andar… Tudo isso pra deixar tudo, absolutamente tudo, de lado.

Fácil assim.

Pagou os cinco reais que já devia, ensacolou tudo e foi embora, sem nem olhar para trás.

Fiquei transtornado.

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